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O Galo da Madrugada, maior bloco carnavalesco do mundo, apresenta neste ano uma alegoria carregada de simbolismo, fé e compromisso social ao prestar homenagem a Dom Hélder Câmara, referência internacional na defesa dos direitos humanos, da justiça social e da cultura de paz. Com 32 metros de altura e cerca de 8 toneladas, o Galo Folião Fraterno ficará exposto entre os dias 11 e 18 de fevereiro, transformando o centro do Recife em um espaço de reflexão, esperança e celebração da vida, sem perder a essência popular do Carnaval.

A obra se apoia em três pilares centrais — inovação tecnológica, sustentabilidade e saúde mental — e reafirma o Carnaval como manifestação cultural capaz de dialogar com temas urgentes da sociedade contemporânea. Mais do que um símbolo festivo, o Galo deste ano surge como um manifesto visual que conecta arte, inclusão social, ciência e espiritualidade.

Uma homenagem que dialoga com fé, cultura e resistência popular

A escolha de Dom Hélder Câmara como inspiração central da alegoria carrega forte significado histórico e simbólico. O arcebispo, que viveu no Recife até sua morte em 1985, enxergava no Carnaval uma expressão legítima de fé, esperança e resistência popular. Durante muitos anos, blocos carnavalescos buscavam suas bênçãos nas prévias, reconhecendo nele uma liderança espiritual profundamente conectada com o povo.

Reconhecido como um dos principais nomes da Teologia da Libertação, Dom Hélder foi indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz e teve sua trajetória marcada pela defesa intransigente dos mais pobres, pelo enfrentamento às desigualdades sociais e pela promoção do diálogo como caminho para a transformação social. Sua atuação junto às populações em situação de vulnerabilidade deixou marcas profundas na história do Recife e do Brasil.

Ao incorporá-lo como figura inspiradora, o Galo da Madrugada reafirma o Carnaval como espaço de memória, crítica social e valorização de personagens que ajudaram a construir uma sociedade mais justa.

Galo Folião Fraterno carrega mensagem de empatia e compromisso social

Batizado de Galo Folião Fraterno, o monumento deste ano leva à cidade uma mensagem clara de fraternidade, cuidado com o próximo e responsabilidade coletiva. A proposta dialoga diretamente com os valores defendidos por Dom Hélder Câmara e amplia o alcance simbólico do Galo para além da folia.

A alegoria busca provocar reflexão ao mesmo tempo em que celebra a alegria característica do Carnaval pernambucano. A união entre arte popular e discurso social reforça o papel do Galo como ícone cultural capaz de representar o espírito do povo e suas lutas.

Sustentabilidade como tradição e compromisso

Desde 2019, o Galo da Madrugada mantém a tradição de utilizar exclusivamente materiais descartáveis e recicláveis na confecção da alegoria, e em 2026 essa proposta ganha ainda mais força. A obra assinada pelo designer, multiartista e arteterapeuta Leopoldo Nóbrega utiliza itens como CDs, tampas de garrafa, plásticos, redes de pesca, conchas, lonas, restos de cortinas e garrafas pet.

A escolha dos materiais não é apenas estética, mas também política e educativa. Ao transformar resíduos em arte monumental, o Galo chama atenção para o impacto do descarte inadequado de lixo e para a necessidade de práticas mais sustentáveis, especialmente em relação aos mares e manguezais, ecossistemas fundamentais para Pernambuco.

As cores do Brasil em ano de Copa do Mundo

Em um ano marcado pela Copa do Mundo, a alegoria também celebra a identidade nacional. As cores verde, amarelo, azul e branco predominam na escultura, representando o Brasil e reforçando o sentimento de união e pertencimento que atravessa tanto o futebol quanto o Carnaval.

Essa escolha cromática dialoga com o momento vivido pelo país e amplia o alcance simbólico do Galo, que passa a representar não apenas o Recife e Pernambuco, mas também o Brasil em sua diversidade cultural e social.

Saúde mental ganha destaque com inclusão social e arteterapia

Um dos aspectos mais relevantes do Galo Folião Fraterno é o destaque dado à saúde mental, tema cada vez mais presente no debate público. A escultura é inspirada na obra de Nise da Silveira, médica psiquiatra nordestina que revolucionou o cuidado em saúde mental no Brasil e se tornou referência mundial na Terapia Ocupacional e na humanização do tratamento psiquiátrico.

As peças que compõem o Galo estão sendo confeccionadas por artesãs em situação de vulnerabilidade social, utilizando métodos da arteterapia. Técnicas como colagem, pontilhismo e termocolagem são aplicadas com materiais como espelhos e tintas à base de água, reforçando o caráter terapêutico e inclusivo do processo criativo.

Mais do que um elemento estético, o processo de construção da alegoria se transforma em ferramenta de cuidado, escuta e fortalecimento emocional para quem participa diretamente da confecção.

Oficinas fortalecem rede de cuidado psicossocial

As oficinas de produção das peças são supervisionadas pela Traços Estudos em Arteterapia e realizadas em equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Entre os espaços envolvidos estão os Centros de Convivência Recomeço Fátima Caio, o Centro Integrado de Atenção à População em Situação de Rua (CINPOP) e o convento da Província Franciscana.

A iniciativa integra usuários e usuárias das políticas públicas municipais, em parceria com as secretarias de Saúde e de Assistência Social e Combate à Fome, além da Coordenação da Política de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas. O projeto reforça a arte como instrumento de promoção da saúde emocional, inclusão social e reconstrução de vínculos.

Inovação tecnológica dialoga com arte e ciência

O Galo da Madrugada 2026 também aposta na inovação tecnológica como elemento narrativo. As penas da cauda incorporam espirais helicoidais de DNA, simbolizando a ciência, a vida e a diversidade humana. O detalhe reforça a ideia de que tradição e modernidade podem coexistir de forma harmônica.

Para representar as 27 estrelas da bandeira brasileira, parte das peças será produzida com impressão 3D, tecnologia desenvolvida pelo núcleo de robótica da comunidade do Xié e Entra Apulso. A iniciativa promove a democratização do acesso à tecnologia e valoriza o conhecimento produzido nas periferias.

No peito da escultura, o Galo traz um Sagrado Coração iluminado com LED, confeccionado com materiais provenientes de descartes tecnológicos, unindo fé, inovação e sustentabilidade em um único elemento visual.

Figurino atravessa Pernambuco do Sertão ao litoral

O figurino da alegoria estabelece um diálogo simbólico que percorre todo o território pernambucano. Do Sertão ao litoral, referências culturais se encontram em elementos como os gibões do cangaço, símbolos do sol e da estrela, além de biojoias feitas a partir de conchas marinhas e redes de pesca.

As pontas das penas da cauda ganham sombrinhas de frevo e estruturas de maior volumetria confeccionadas com restos de cortinas, reforçando a identidade carnavalesca e o compromisso com o reaproveitamento de materiais.

Arte como elo entre Dom Hélder e Nise da Silveira

Para o artista Leopoldo Nóbrega, o Galo Folião Fraterno estabelece um diálogo simbólico entre duas figuras fundamentais da história brasileira: Dom Hélder Câmara e Nise da Silveira. Segundo ele, as peças produzidas manualmente funcionam como verdadeiras “cartas” de Nise para Dom Hélder.

“Essas cartas conectam empatia, cuidado com o próximo e compromisso social”, destaca o artista, ressaltando que esses valores atravessam tanto a trajetória do homenageado quanto o conceito central da alegoria.

Carnaval como espaço de reflexão e transformação

Ao unir fé, sustentabilidade, tecnologia, saúde mental e inclusão social, o Galo da Madrugada reafirma o Carnaval como muito mais do que festa. A alegoria de 2026 transforma o espaço urbano em um convite à reflexão coletiva, sem abrir mão da alegria, da cor e da celebração que caracterizam a folia pernambucana.

O Galo Folião Fraterno se apresenta, assim, como símbolo de um Carnaval que olha para o futuro sem esquecer suas raízes, celebrando a vida, a diversidade e o compromisso com uma sociedade mais justa e humana.

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